10 de set de 2009

OFICINA DE ANIMAÇÃO


Vale o investimento material e de tempo.
Realização: NUCAR - Núcleo de Cinema e Animação em Rondônia.
"Nos dias 24 e 25 de setembro o NUCAR estará realizando a Oficina de Cinema de Animação na CASA DE CULTURA IVAN MARROCOS na Av. Carlos Gomes esq. com Rogério Weber em Porto Velho"
Ivestimento: 10 reais
Vagas limitadas.


1 de set de 2009

A AVE SAI DO OVO




Demian,livro escrito em 1919 pelo autor Hermann Hesse,é um de seus mais importantes ,pois é o primeiro daqueles que o levará a escrever sua obra maior Der Steppenwolf(O lobo da estepe) e Sidarta,a obra intermediária.
O livro é a autobiografia de Emil Sinclair,alguém que nasceu em um lar harmonioso e envolto pelo conforto da boa educação e dos bons costumes.A grande guinada em sua vida confortável e burguesa se dá quando, por conta de uma mentira que cai nas mãos de Franz Kramer, “um rapaz dos seus treze anos,corpulento e grosseiro”(p.27) que ao chantagear o menino Emil acaba por colocá-lo de frente com um mundo diferente daquele ao qual sua família pertencia,o mundo ideal,para levá-lo ao mundo real.
Para Sinclair este episódio foi “a primeira rachadura nos fundamentos sobre os quais descansara a sua infância e que o homem tem que destruir para poder chegar a si mesmo”(p.35). “Desses acontecimentos que ninguém percebe,é que se nutre a linha axial interna de nosso destino”(p.35).
Sua vida de menino toma novo rumo quando conhece Max Demian.A importância deste é tão grande que vai influenciá-lo por toda sua vida.
É importante destacar a pessoa de Demian ;ele “era totalmente diverso de todos e possuía uma marca pessoal e singularíssima que fascinava”(p.46).Era um jovem que emanava uma sabedoria, “milenária,de certo modo alheio ao tempo,selado por idades diversas da que nós vivemos”(p.70).Demian nunca desaparecia por completo do horizonte de Sinclair.
“A ave sai do ovo.O ovo é o mundo.Quem quiser nascer tem que destruir um mundo.A ave voa para Deus”(p.144).A grande mensagem deste livro é esta.E destruir um mundo não quer dizer violência,não,nos fala de romper com o passado e as tradições,de desligar-se do meio exageradamente cômodo e seguro da infância para começar então a busca pela razão de existir.
A história do amadurecimento de Sinclair não diz respeito a uma aristocracia intelectual;não se refere a pessoas que se julgam cultas e superiores o bastante para não se relacionarem com as outras pessoas ,e sim de exaltar o indivíduo consciente de seu próprio caminho.Exalta o homem que não vive o “acaso”,mas que é senhor da sua vida. “Quando alguém encontra algo de verdadeira necessidade,não é o acaso que tal proporciona, mas a própria pessoa, seu próprio desejo e sua própria necessidade a conduzem a isso”(p.119).
“ O impulso que te faz voar é o grade patrimônio humano,comum a todos”(p.127).Esse impulso,esse voar é a coragem que cada um deve ter para ser um homem verdadeiro,conhecedor de si.
Muitos por achar perigoso “renunciam de bom grado a voar e preferem caminhar,pela escala burguesa,apoiados nos preceitos legais”(p.127).
A vida é uma longa caminhada para dentro de si mesmo.Foi assim que viveu Emil Sinclair.Sempre lutando contra as influências externas que querem nos colocar no rebanho.Ele rebelou-se contra a unifomização e contra todos os processo de submissão do homem.
HESSE,Hermann.Demian.Trad. Ivo Barroso.Rio de Janeiro: Record, 2005. 187p.

UM ABSURDO MODO DE SER


“Quando certa manhã Gregor Samsa despertou, depois de uma noite mal dormida, achou-se em sua cama transformado em um monstruoso inseto” (p.17). São com estas palavras que no ano de 1912 Franz Kafka iniciou um de seus maiores sucessos intitulado A Metamorfose, um dos principais livros do século XX.
O caixeiro-viajante Gregor Samsa acorda um dia e vê-se transformado, alterado, metamorfoseado em uma coisa, um objeto.
“_ Que me aconteceu?” (p.17). Esta é a pergunta que ele se fez. Um homem que vivia com os pais, e com uma irmã, cumpridor de seus compromissos com a sociedade, já que era um ótimo funcionário, alheio a si mesmo desperta e se pergunta como se há muito tivesse esquecido quem era.
Quantos dos atuais homens modernos, escravos do tempo, do emprego, dos deveres sociais e familiares não acordam um dia sentido que é mais “coisa”, mais “operário” do que um indivíduo, com todo um mundo particular?
É com esse gosto amargo que se desenrola a história da luta (vencida) do homem contra as injustiças de um mundo calculista e arbitrário.
Em meio à constatação de sua mudança ele, Gregor Samsa, percebe o quanto sua vida não é real, mas aquilo que lhe ocorrera, sim, começava a revelar verdades. “A necessidade de madrugar, pensou, entorpece por completo a gente. O homem precisa dormir o tempo justo” (p.18). “Se não fosse pelos meus pais, há muito tempo eu me teria despedido” (p.18). Esses pensamentos que lhe vinham à mente era o que de fato o preenchia, mas estava escondido sob o peso da responsabilidade.
Seu compromisso com a família, com o trabalho, com o patrão, homem “sem dignidade nem consideração” fazia dele um escravo-livre do aparelho burocrático.
O assombro da família, o choque e a repulsa do agente da firma revelam que estavam mais preocupados com o que todos iriam perder do que com a tragédia que aconteceu com Samsa.
Assim, transformado, como continuar trabalhando, sustentando sua família, trazendo lucros para o patrão?
O que mais impressiona é que no decorrer do texto o que mais incomoda a todos não é o fato de conviver com um inseto monstruoso, mas a preocupação de todos é como viver sem a ajuda de Samba. A lástima não é ver um próximo nesse estranho modo de ser, mas está em perder aquele que supre que gera riqueza, que é útil para a sociedade.
A falta de cuidados, os maus tratos e o asco que Gregor Samsa recebia de sua família e de todos os que entravam em contato com ele o levou a morrer lentamente. Ele “pensava com emoção e carinho nos seus. Achava-se, se era possível, ainda mais firmemente convencido do que sua irmã de que tinha de desaparecer” (p.59).
E é assim que acabou a vida de Gregor Samsa. E é assim que terminam muitos, pois muitos são os que têm sido transformados diariamente em “coisas” do que num tipo evoluído de ser humano.
A pesar do desconforto perturbador que este texto nos causa, sua leitura é sempre necessária e atual, pois sempre nos leva a refletir sobre o desespero do homem ante o absurdo da existência, da burocracia e da organização da sociedade.
KAFKA, Franz. A Metamorfose. Trad. Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret. 1999, 65p.